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Entrevista ao novo presidente do CADC
Novo presidente do CADC em curta entrevista ao "Correio de Coimbra""Os sócios do CADC são mulheres e homens que vivem empenhadamente em sociedade a sua condição de cristãos"
Conte-nos o que é o CADC
O CADC, sigla de Centro Académico de Democracia Cristã, é uma associação de leigos católicos que têm em comum o facto de serem ou terem sido estudantes, professores ou investigadores de instituições de ensino superior sedeadas em Coimbra. A Universidade de Coimbra é naturalmente a instituição que aglutina a maior parte dos sócios do CADC, mas não é a única. Eu próprio sou professor da Universidade Aberta [universidade pública de ensino a distância, sedeada em Lisboa e com uma delegação em Coimbra, cujo reitor é, curiosamente, professor da Universidade de Coimbra], embora tenha estudado na Universidade de Coimbra. No próximo sábado os novos corpos sociais vão tomar posse. Conte-nos como vai ser...
Que apreciação faz da actual situação do país e que temas estão na agenda da direcção para o futuro próximo? A elite política portuguesa actual é fraca e, tal como ela, outras elites são fracas, o que se nota nos níveis de violência simbólica disseminados na sociedade. As pessoas têm essa experiência quando vêem que o impossível acontece, como, por exemplo, quando se dão conta de que, vivendo em democracia, têm medo de falar ou de dizer a verdade toda. Eu sou da geração que vê estas coisas acontecerem, e quer reagir contra elas. Quer nas relações com a comunidade eclesial, quer nas relações com a comunidade política mais ampla, sem deixarmos de ser prudentes, queremos ir além do que já se disse. Dou-lhe alguns exemplos: queremos falar de coração aberto com o nosso bispo e pedir-lhe aquilo de que necessitamos – por exemplo, que compreenda connosco o que é o CADC e que nos dê o estatuto jurídico adequado. Mas também queremos falar para a sociedade: perceber de que modo o cristianismo pode dar hoje uma resposta válida à questão do compromisso entre a verdade e a política, que, na prática, parece não existir; discutir os grandes temas da bioética, da economia, da ecologia, das manifestações culturais, do diálogo ecuménico; estabelecer o diálogo com os que estão fora da Igreja, ou porque não a compreendem ou porque a combatem (por exemplo, o diálogo com os ateus). A crise social é outra questão que foi por mim referida no dia da eleição e que, nos últimos dias, assumiu grande importância nos meios de comunicação social. A questão será amplamente apreciada por nós, no contexto do debate que faremos sobre o futuro de Portugal, numa altura em que há quem se deixe seduzir, designadamente dentro da Igreja, por questões que dividem os portugueses. O nosso propósito não é dividir, mas congregar quem anda disperso.
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Actualizado em: 18-02 2009.